Se a violência racial é cruel contra adultos, pense em um cenário cujo alvo é uma menina de apenas 5 anos. Os pais e atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso viram a pequena Chissomo Ewbank Gagliasso, a Titi, se tornar vítima desse crime no ano passado. O racismo contra Titi partiu da socialite e blogueira Day McCarthy, que fez uma série de postagens preconceituosas mencionando a criança.

O casal decidiu que os insultos racistas não cairiam no esquecimento e não teriam o perdão da impunidade. No mês passado, eles deram entrada na 32ª Vara Cível do Rio de Janeiro e pediram uma indenização por danos morais no valor de R$ 180 mil.

racismo contra titi

O caso de racismo contra Titi é somente a ponta do iceberg em um país que, mesmo em meio à tamanha diversidade, ainda age de forma extremamente preconceituosa. Pensando nisso, o Violência Social preparou um post completo para você entender melhor sobre o assunto e saber como denunciar o crime.

> Racismo contra Titi: relembre o caso que revoltou a internet em 2017;

> Indenização e o fim da impunidade da agressora;

> Saiba como denunciar a violência racial.

 

Racismo contra Titi e a revolta da internet

Tudo que se sabe sobre Dayane Alcantara Couto de Andrade, a Day McCarthy, tem como base o que ela publica sobre si mesma nas redes sociais. Autointitulada como socialite, ela afirma morar no Canadá e coleciona milhares de seguidores.

Em redes sociais como o Instagram, ela posta fotos ao lado de grandes celebridades, como Kim Kardashian e Katy Perry, além de posar em grandes eventos fechados exclusivamente para convidados.

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Day McCarthy já fez outras declarações polêmicas ou ofensivas em suas redes sociais

No entanto, esse perfil de influenciadora digital é, em boa parte das situações, usado para críticas e ofensas. Day McCarthy já atacou Rafaela Justus, filha de Ticiane Pinheiro e Roberto Justus, chamando-a de “brinquedo assassino”.

Caso Titi – Talvez sua projeção mais famosa esteja justamente ligada à uma violência. Além da pequena Rafaela, a blogueira já utilizou a função stories do Instagram para disseminar o racismo contra Titi, de apenas 5 anos.

Em novembro de 2017, ela fez vídeos em que usa termos como “macaca”, “horrível” e “cabelo de pico de palha” para se referir à filha de Ewbank e Gagliasso.

“Ficam elogiando aquela macaca, preta, horrível, e o povo fala que a menina é linda. Essas mesmas pessoas vêm no meu Instagram criticar a minha aparência? Você só tá puxando o saco porque é adotada por famosos?”.

Os posts tiveram grande repercussão, outros famosos se pronunciaram sobre o racismo contra Titi e até mesmo anônimos abraçaram a causa e fizeram críticas à violência racial cometida por Day McCarthy.

 

Crime e penalização

Logo que as postagens racistas se disseminaram, Giovanna Ewbank agradeceu os fãs pelo apoio e mensagens de carinho, e publicou em suas redes sociais: “Racismo é crime, e já estamos tomando as devidas providências perante a lei”.

Após o episódio, Bruno Gagliasso esteve na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio de Janeiro, para prestar queixa. “Eu espero que aconteça justiça e por isso eu estou aqui, como pai e como cidadão. É um crime e ela precisa pagar pelo que fez”.

Este ano, no mês passado, o casal deu entrada na 32ª Vara Cível do Rio e pediu uma indenização por danos morais no valor de R$ 180 mil referentes ao racismo contra Titi.

 

Como denunciar?

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Titi não é a única criança a sofrer com o racismo no Brasil. Esse crime é disseminado diariamente de diferentes formas, seja verbalmente ou pela internet. A principal arma para que a violência racial tenha fim é a denúncia! Saiba como relatar agressões:

  • Por meio do Disque 100. O número recebe denúncias de violações dos Direitos Humanos, incluindo racismo e violência contra crianças;
  • Ligue para a Polícia Militar pelo 190;
  • Você também pode acionar o Disque Denúncia por meio do número 181;
  • Reúna provas e registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.
Sobre o projeto
Enquanto o Estado e gestores públicos não acabam com a violência instaurada no País, o que resta ao cidadão? A proposta do portal "Violência Social" é contribuir com respostas, ser um canal de conteúdo estratégico onde a população terá informações sobre como lidar com a violência e se defender, além de conhecer melhor os seus direitos.