As eleições 2018 se assemelham em muitos aspectos a uma grande partida de futebol: times adversários lutam para conquistar o mesmo ideal, acompanhados pela vibração e o ódio de suas torcidas. A diferença é o que resultado dessa grande disputa decide o destino de todo o Brasil. Em meio aos ânimos inflamados da torcida, discursos de ódio e tantos pontos de vista diferentes, a preocupação com a violência nas eleições se torna cada vez mais real.

A manifestação de apoio a um candidato pode significar, automaticamente, um rompimento com partes da família ou grupos de amigos que pensam de formas consideradas opostas.

Redes sociais e aplicativos de conversa se tornaram trincheiras de uma guerra por determinados candidatos ou partidos. Em meio a um contexto que assusta, já que a emoção está à flor da pele de milhões de brasileiros, o caos se instala, o inimigo em comum une adversários e tantos comportamentos improváveis vem à tona.

violência nas eleições

As redes sociais se tornaram o espaço de brigas, conflitos e discursos de ódio em favor de um candidato ou de outro

Esse cenário, que descreveria tão bem outros aspectos competitivos que não a política brasileira, acaba dando espaço para os discursos de ódio e instaurando o medo e a insegurança em diferentes segmentos da sociedade.

As incertezas sobre o futuro político e as disputas acirradas e acaloradas demonstram a situação de violência nas eleições 2018. Para que você entenda melhor esse contexto político, o Violência Social preparou um post completo onde você vai ver:

> Disputas ideológicas: brigas, rompimentos e os conflitos nas redes sociais em tempos de eleições;

> Por que isso acontece? Entenda mais sobre o clima de violência nas eleições 2018;

> Como lidar com as diferenças de votos entre as pessoas mais próximas;

> Saiba o que pode e o que não pode ser feito no dia 7 de outubro.

 

‘Torcidas’ e conflitos: as diferenças exacerbadas em tempos de eleições

Longos textos, memes, provocações, respostas grosseiras, brigas e até a promessa de desfazer a amizade, bloquear ou se afastar de determinadas pessoas por seus ideais políticos.

É bem provável que você já tenha vivido ou visto bem de perto algumas dessas situações. Se casos semelhantes acontecem na vida real, isso ganha proporções ainda maiores nas redes sociais e nos grupos de aplicativos de conversa.

As pesquisas apontam intenções de votos consideráveis para diferentes candidatos, mas dois deles se tornam ainda mais protagonistas na reta final da corrida presidencial. De visões partidárias consideradas praticamente opostas, eles despertam o amor e o ódio de milhões de eleitores.

O resultado disso vem muito antes da expressão nas urnas e se torna notável nos discursos intensos daqueles que mais parecem membros de torcidas organizadas. Dois conceitos fundamentais são deixados de lado nesse sentido: o respeito e a democracia, que dá a liberdade para que cada um faça as próprias escolhas sem precisar se apropriar daquilo que é considerado verdadeiro por outros.

violência nas eleições

Seja virtual ou pessoalmente, as conversas relacionadas à política atingem pontos exacerbados e mais parecem disputas entre torcidas

 

Violência nas eleições 2018: É preciso se preocupar?

O comportamento exagerado de tantos eleitores tem explicação e acontece, principalmente, como um reflexo negativo dos últimos anos do cenário político no Brasil.

Doutorando em ciência política pela USP (Universidade de São Paulo), Rafael Moreira acredita que isso se deve a duas fortes candidaturas que estão à frente: o PT, por meio de Fernando Haddad, e aquele que representa o anti PT, Jair Bolsonaro, do PSL.

“Embora essa candidatura (a de Jair Bolsonaro) represente um retrocesso para as minorias sociológicas, ela cresce com características da extrema direita, sendo “anti” determinado ideal. Nesse caso, se baseia no senso comum e se mostra pouco propositiva, mas gera grande ressonância social, já que as pessoas querem uma solução rápida a qualquer custo”.

O pensamento extremista de diferentes lados cria um cenário de instabilidade e receio sobre possíveis casos de violência nas eleições. Nesse sentido, Moreira é categórico e acredita que tudo pode acontecer.

“A violência nas eleições não se restringe ao físico. Você se sentir acuado para demonstrar seus pensamentos e seus ideais, como o feminismo, por exemplo, é uma forma de violência psicológica”.

 

Lidando com as diferenças

Viver em sociedade é entender a possibilidade de que existem diferentes pessoas e tantas outras formas de pensar. E como lidar quando essas diferenças acontecem dentro de casa, entre os familiares, ou mesmo em um grupo de amigos próximos?

Respeito é a palavra-chave para a harmonia mesmo em meio a visões de mundo opostas. Saiba como lidar com as diferenças políticas para evitar a violência nas eleições entre as pessoas mais queridas:

  1. Equilibre o uso do celular e das redes sociais – repense sobre quanto tempo você se dedica ao smartphone e às redes sociais. Se preciso, se afaste temporariamente desse universo virtual;
  2. Tolerância – a maturidade, especialmente no uso de aplicativos, faz com que você tolere melhor e respeite as diferenças. Nem sempre você precisa concordar com tudo que é dito em um grupo;
  3. Respeite os laços – avalie: uma disputa política realmente vale o distanciamento de familiares e o rompimento na relação com amigos?;
  4. O dia seguinte – a convivência vai além das eleições. Não vale à pena se render à intolerância e à violência de todo o tipo.

 

O que pode ou não fazer no dia 7 de outubro?

violência nas eleições

A violência nas eleições vai além das diferenças ideológicas e os conflitos em função delas. Ela também se manifesta quando os direitos e deveres dos cidadãos não são cumpridos no dia tão decisivo e capaz de definir o futuro do país.

Saiba algumas das situações proibidas no dia 7 de outubro:

  • Levar para a urna aparelhos como celular ou máquina fotográfica;
  • Alto-falantes, carreatas, comícios e tudo o que pode ser considerado como boca de urna;
  • “Lei seca eleitoral”: fica proibida a venda de bebidas alcoólicas no dia das eleições. A norma já começa a valer no dia anterior, sendo variável esse horário de acordo com cada estado;
  • São permitidas manifestações silenciosas do voto, como o uso de camisetas. As aglomerações com outras pessoas “uniformizadas” devem ser evitadas.
Sobre o projeto
Enquanto o Estado e gestores públicos não acabam com a violência instaurada no País, o que resta ao cidadão? A proposta do portal "Violência Social" é contribuir com respostas, ser um canal de conteúdo estratégico onde a população terá informações sobre como lidar com a violência e se defender, além de conhecer melhor os seus direitos.