Violência no lar impacta a vida de mulheres no mercado de trabalho

Vítimas têm queda de produtividade, ficam nas empresas por menores períodos de tempo e ganham menos

A violência no lar não é uma exclusividade brasileira. A situação que instaura o medo ainda dentro do ambiente familiar tem reflexo em todos os setores da vida de suas vítimas. Ainda que esse tipo de agressão aconteça com homens, as mulheres ainda são a maioria esmagadora que sofrem no local que deveria representar acolhimento e segurança.

No primeiro trimestre de 2017, o Distrito Federal registrou 4.085 episódios de violência no lar. Desses, mais de 90% representam ocorrências atingindo mulheres, pouco mais de 3.600 casos.

E esses números não se restringem somente à capital federal. Estados como Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro e Minas Gerais também ocupam lugar de destaque entre as denúncias de agressão verbal ou física entre quatro paredes.

E os números podem ser ainda maiores. Apesar do impacto da Lei Maria da Penha há mais de 10 anos, o Brasil registra o assassinato de 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres e ocupa o 5º lugar entre os países que contabilizam feminicídios.

Violência no lar e o mercado de trabalho

A violência no lar pode começar ainda dentro dele, mas as consequências atingem outros núcleos da vida de suas vítimas. A vida profissional e, consequentemente, a atividade produtiva do país, são as mais afetadas.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará realizada em 2016 em parceria com o Instituto Maria da Penha e com o Instituto de Estudos Avançados Toulouse, na França, com 10 mil mulheres que vivem nas capitais do nordeste, concluiu que 27% delas já haviam sofrido algum tipo de violência no lar, seja emocional, física ou sexual.

Pela primeira vez na América Latina, os pesquisadores cruzaram dados com informações da vida laboral das mulheres e os resultados foram alarmantes. A violência doméstica impacta diretamente na saúde mental, na capacidade de concentração e tomada de decisões.

violência no lar

Mulheres que sofreram violência no lar ficam 22% menos tempo no emprego do que as que não passaram por isso. Em cidades como Salvador, na Bahia, o tempo chega a ser 48% menor. Os salários são, em média, 10% inferiores. Em Fortaleza, no Ceará, a diferença salarial é de 34%.

Essas vítimas, no contexto de funcionárias, faltam ao trabalho 18 dias por ano por causa da violência. Isso representa 8 milhões de horas produtivas perdidas por ano somente nas capitais nordestinas.

Estendendo o dado para todo o Brasil, com base no salário médio entre o sexo feminino, são R$ 975 milhões perdidos de renda em razão da violência no lar sofrida por milhares de mulheres.

A violência doméstica precisa, também, ser um assunto dentro das empresas. Com a diminuição das agressões no lar, as mulheres têm menos problemas de saúde e são mais produtivas. A empresa ganha mais e os salários tendem a aumentar.

Tipos de violência no lar

A violência no lar pode se manifestar de diversas formas. Pode vir de familiares, de um relacionamento amoroso ou mesmo de filhos e amigos próximos. Saiba como os agressores agem em casa caso:

Violência psicológica – é caracterizada por ações como chantagem emocional, humilhação pública, vigilância e perseguição, constrangimento, humilhação, isolamento e privação do direito de ir e vir;

Violência moral – envolve calúnia, injúria e difamação da vítima;

Violência física – ofende a integridade ou a saúde corporal da vítima em ações como puxão ou apertão, empurrão, beliscão, bofetada, soco, mordida, arranhão, pontapé e agressões mais graves que podem levar à morte;

Violência patrimonial – retenção, subtração ou destruição de objetos, bens, valores, instrumentos de trabalho ou documentos pessoais. Também acontece quando o responsável pela renda familiar usa o dinheiro como forma de punição, deixando de pagar ou comprar algo importante para o bem da família.

Afastamento dos agressores

Entre as mulheres que sofrem com a violência no lar, nem todas seguem tolerando as ações

de seus agressores e passaram a denunciar, pedindo medidas protetivas contra aqueles que lhes causam sofrimento.

violência no lar

De acordo com levantamento feito entre 2013 e 2017, 225.869 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar fizeram pedidos de medidas protetivas a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Somente no estado, a média foi de 123 pedidos por dia.

As medidas protetivas de urgência servem para garantir a integridade física das vítimas e de seus familiares e estão previstas na Lei Maria da Penha. O objetivo é proteger, em até 48 horas, as mulheres de novas agressões. Essa atitude preserva famílias e previne que mais mulheres façam parte dos índices de feminicídio no Rio de Janeiro e em todo o Brasil.

Denuncie!

Se você é vítima ou conhece alguém que sofre com a violência no lar, denuncie. Saiba como registrar o abuso de um agressor:

  • Disque 180: oferece apoio e orientações à mulher. A denúncia é encaminhada para o órgão local, como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) ou Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), de acordo com cada estado. O serviço é gratuito e funciona 24h, todos os dias;
  • Disque 100: contato disponível para denúncia de topo tipo de violação de direitos humanos;
  • A violência também pode ser registrada diretamente em uma Delegacia Especial ou diretamente na mais próxima à sua residência.