Violência psicológica, uma subjetiva forma de sofrimento

Ainda que não possa ser fisicamente vista, agressão deixa marcas emocionais por toda a vida

Marcas e dores físicas não são os únicos fatores para você identificar se está em uma relação violenta – seja de qual natureza for: amorosa, familiar ou de amizade. Subjetiva e nem sempre fácil de identificar até por quem se torna vítima dela, a violência psicológica deixa marcas emocionais que podem ser ainda mais profundas e permanentes.

Mas o que é a violência psicológica? Ela é definida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como “qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

Por suas características, negligência e subjetividade, a violência psicológica muitas vezes é mascarada e romantizada pelo ciúmes em exagero.

violência psicológica

Características e atitudes – Essa violência pode assumir diferentes formas que causam o mesmo mal: ‘cicatrizes’ no emocional de suas vítimas. A violência psicológica pode assumir a forma de rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito, punições ou castigos exagerados, isolamento relacional, intimidação, domínio econômico e ameaça de morte.

Crime – A agressão emocional e psicológica é crime previsto, também, pelo artigo 7º da Lei Maria da Penha: “Constrangimentos, ridicularização e perseguição, entre outras ações causadoras de danos emocionais”. No entanto, a complexidade da definição dificulta as provas que identificam a violência e, consequentemente, a punição do agressor.

Principais vítimas

As mulheres estão entre as principais vítimas desse tipo de agressão, que geralmente precede a violência física e, uma vez praticada e tolerada, pode se tornar constante.

Além da violência psicológica óbvia, que envolve ameaças, abandono, indiferença, chantagem, discriminação, desrespeito e negligência em relação ao emocional do outro, esse sofrimento e imposição contra mulheres podem assumir outras formas: manterrupting, mansplaining, bropriating e gaslighting.

Falaremos brevemente sobre esses tipos de violência porque você pode ler detalhes sobre isso aqui.

Manterrupting – Quando homens fazem interrupções em meio à fala de mulheres, impedindo que concluam sua linha de raciocínio.

Mansplaining – Partindo do pressuposto que mulheres não sabem sobre determinado assunto, elas são rebaixadas com longas e didáticas explicações.

Bropriating – Violência psicológica típica do ambiente de trabalho e do mundo corporativo, acontece quando homens se apropriam de ideias de outras mulheres, utilizando-as como se fossem suas e levando os créditos por elas.

Gaslighting – Uma das mais sérias formas dessa violência emocional e geralmente associada a relacionamentos amorosos. Nessa situação, a sanidade da mulher é colocada em xeque, fazendo com que ela mesma duvide sobre sua capacidade de percepção.

Violência psicológica e os reflexos na saúde das vítimas

Mas as mulheres não são as únicas vítimas da violência psicológica e suas consequência se tornam uma realidade para todos aqueles que sofrem com ela – até mesmo no caso das crianças.

Os efeitos são vastos, sensíveis e, inicialmente, podem permanecer por muito tempo silenciosos. Entretanto, se não forem adequadamente tratados com a ajuda de psiquiatras e psicólogos, podem gerar traumas que são levados por toda a vida.

Falta de esperança, dificuldade em confiar, criar laços e construir relações, influência negativa na vida sexual, assim como a vítima, possivelmente, se tornar, mais tarde, um agressor, são alguns dos efeitos da violência psicológica.

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Os reflexos podem ir além, causando desordens como ansiedade, angústia, baixa autoestima, irritabilidade, depressão, sentimentos de culpa e incapacidade, perda de memória, pânico e fobias, abuso de substâncias como álcool e drogas, comportamentos destrutivos e até mesmo suicidas.

Os problemas da violência psicológica podem atingir também a ordem física, causando hemorragias, fraturas, dores de cabeça, problemas ginecológicos ou abortos espontâneos.

Como identificar?

A vítima de violência psicológica pode ter vergonha do que acontece, grande parte das vezes, dentro de casa e, por isso, dificilmente vai buscar ajuda. Como é possível identificar esse tipo de agressão? Se você acredita estar sendo vítima ou conhece alguém que precisa desse auxílio, fique atento aos sinais:

  • Controle sobre a forma que se veste, se expressa, pensa, come ou age;
  • Críticas agressivas e não construtivas;
  • Desqualificação de atitudes da vítima;
  • Xingamentos, exposições e humilhações disfarçados de “brincadeira”.

Buscando ajuda

A violência psicológica é crime e seus agressores devem ser penalizados. Saiba como denunciar!

  • Disque 100: por esse canal é possível denunciar todo tipo de violação de direitos humanos;
  • Disque 180: voltado para as denúncias de violência contra a mulher, é possível também relatar agressões psicológicas;
  • Ligue para o 181: o Disque Denúncia também relata esse tipo de crime;
  • Como se trata de um crime de ordem subjetiva, reúna o máximo de provas que puder e faça um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.