Violência sexual vitimiza mulheres em todo o mundo

Crime considerado invisível fez uma média de 135 vítimas por dia no Brasil em 2016

Silêncio, vergonha, baixa autoestima e o medo do julgamento como culpada do que lhe aconteceu. A violência sexual é um crime invisível que vitimiza mulheres diariamente em todo o mundo.

Considerado invisível já que nem todas denunciam seus agressores, o abuso representa traumas físicos e psicológicos. Além de dados preocupantes para o caso de mulheres adultas, a violência sexual é ainda mais cruel com crianças e adolescentes, as maiores vítimas desse crime.

A violência sexual vai além da consumação do ato obsceno e envolve todo o dano emocional causado à vítima nesse tipo de agressão. A cultura do estupro faz com que, muitas vezes, a mulher se sinta culpada pela violência que sofreu. Também funciona como uma forma de invalidar sua dor e é uma das causas da subnotificação de casos.

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O que é o assédio e a violência sexual?

É qualquer ato ou tentativa de ato em que a vítima se sinta assediada ou violentada sexualmente de maneira indesejada. O assédio pode acontecer por meio de um avanço, um comentário não desejado ou qualquer tipo de contato e interação de natureza sexual efetuados contra a vontade de um dos envolvidos.

Ainda que com índices infinitamente menores, homens também podem ser vítimas desse tipo de agressão, sendo mais comum no caso de meninos menores de idade.

Os números do assédio – Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016, o Brasil registrou uma média de 135 estupros por dia. Foram 49.497 casos de violência sexual no total, 4,3% a mais que no ano anterior.

Naquele mesmo ano, o número de abusos sexuais registrados no sistema de saúde foi de 22.918 casos. O dado, apontado no Atlas da Violência 2018, mostra uma discrepância entre os índices registrados pelo sistema de saúde e pelas polícias brasileiras, demonstrando ainda mais a subnotificação de ocorrências.

Pesquisadores estimam que esse número seja equivalente a 10% da quantidade real de estupros a cada ano, ou seja, esse número é muito pior e fica mascarado pelo medo e pela falta de confiança das vítimas nos próprios sistemas de segurança e de saúde.

Como age a cultura do estupro?

Existe algum tipo de cultura que influencia a violência sexual contra mulheres no Brasil e no mundo? O termo ‘cultura’ é usado para falar sobre comportamento coletivo e tem a ver com nossas práticas sociais, socialização e a forma que enxergamos o mundo.

Em uma sociedade que a mulher constantemente é objetificada, identificada como alvo de desejo, enquanto o homem é aquele que deseja, a cultura do estupro sutilmente é disseminada, dando às mulheres papéis que ela não pretendia assumir, mas que lhe foram impostos em anos de cultura – e que como toda cultura pode e deve ser mudada.

O resultado desse comportamento tido como cultural e estendido a diversos setores do convívio social é o medo entre as mulheres, a constante culpabilização da vítima, a falta de autoestima e o baixo índice de notificação de casos de violência sexual.

Casos de assédio: denúncias X números reais

São muitos os fatores que demonstram que o número de denúncias de assédio é infinitamente menor que as ocorrências de violência sexual.

A proximidade entre vítima e agressor é uma das principais questões. Em cerca de 46% das ocorrências com mulheres adultas, o estuprador é um familiar, amigo, conhecido, companheiro ou, pelo menos, uma pessoa que a mulher é capaz de identificar e saber seu nome.

Subnotificação – Entre 2011 e 2016 houve crescimento de mais de 90% nas denúncias de estupros. Ainda assim, a falta de denúncia é um assunto sério e é ainda mais grave quando se pensa em números absolutos. Estimativas apontam que mais de 1 milhão de pessoas podem ser vítimas de violência sexual no Brasil.

Segundo o Atlas da Violência, nos Estados Unidos, apenas 15% dos estupros são reportados à polícia. Caso nossos números tenham taxa semelhante à americana, em torno de 10%, estaríamos falando de 300 a 500 mil mulheres estupradas por ano no país.

Tabu – O tabu associado a esse tipo de crime, bem como a desconfiança em relação à vítima dada à dificuldade na produção de provas, também são alguns dos fatores que propiciam a subnotificação da violência sexual.

Crianças e adolescentes

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A violência sexual choca ainda mais quando é direcionada a inocentes, principais alvos dos assediadores. Dentre os abusos sexuais registrados em 2016, 50,9% se refere ao estupro de crianças de até 13 anos. Outros 17% são adolescentes entre 14 e 17 anos.

No caso de estupros coletivos, as crianças continuam sendo maioria, com 43,7% das ocorrências, enquanto adolescentes representam 20,1% das vítimas.

Os agressores também são próximos ao menor em mais da metade dos casos. Amigos ou conhecidos da família representam 30,13%, pais são 12,03% e, padrastos, 12,09%.

Chega de Fiu Fiu: denuncie!

Lançada em julho de 2013, “Chega de Fiu Fiu” é uma campanha da ONG Think Olga de combate ao assédio em espaços públicos que mulheres são obrigadas a lidar diariamente, como comentários de teor obsceno, olhares, intimidações, toques indesejados e importunações de teor sexual disfarçadas de brincadeiras ou elogios, mas que na verdade causam medo e insegurança.

Ninguém deve passar por isso e, se você for vítima desse tipo de violência sexual, denuncie!

– Disque 100: atende casos de violação de direitos humanos;

– Ligue para o 181: Disque Denúncia;

– Reúna provas e procure a delegacia mais próxima para registrar um boletim de ocorrência;

– Pelo monitoramento da campanha Chega de Fiufiu: http://chegadefiufiu.com.br/.